PORTAL UNISUL     BIBLIOTECA     CONSULTA AO ACERVO     BASE DE DADOS      DISSERTAÇÕES     TESES     PORTAL DE PERIÓDICOS     MINHA UNISUL     FALE CONOSCO

Página Inicial > Teses > Teses Defendidas > Resumos de Teses

 

Teses

Teses Defendidas

Editais de Teses

 

Teses

Resumos de Teses


 

057


Da cólera ao acontecimento junho de 2013: do que escapa à representação em Deleuze e Lacan

 

José Isaías Venera


8 de dezembro de 2017, às 9 horas
Sala 212, do bloco B, da Unidade Pedra Branca da Universidade do Sul de Santa Catarina
Banca:

Dr. Maurício Eugênio Maliska – UNISUL (orientador);
Dra. Taiza Mara Rauen Moraes – UNIVILLE (avaliadora);
Dr. Pedro Heliodoro de Moraes Branco Tavares – USP (avaliador);
Dra. Ana Carolina Cernicchiaro – UNISUL (avaliador);
Dr. Antonio Carlos dos Santos – UNISUL (avaliador);
Dr. Christian Ingo Lenz Dunke – USP (suplente).


Resumo:

Investigar a linguagem colocada sob vertigem nos protestos de junho de 2013. Movimento que se apresenta como uma cólera de um tempo, expressa na força que mobiliza à multidão nos protestos. Por isso, o título “Da cólera ao acontecimento junho de 2013: do que escapa à representação em Deleuze e Lacan”. Para dar conta deste problema inicial, de trabalhar com o que escapa à representação e, ao mesmo tempo, dessa força a-significante no acontecimento junho de 2013, destaca-se, inicialmente, os conceitos de Real, em Jacques Lacan, e de virtual, em Gilles Deleuze. Força que aparece nesta tese como objeto problemático: um estranho que insiste, sempre, em retornar. Parte-se da linguagem e sua articulação com a representação, e do simulacro como potência sem modelo, para, no segundo momento, trabalhar com dois conceitos que permitem analisar o estranho objeto no acontecimento junho de 2013, ou seja, a quase-causa deleuziana e o objeto a lacaniano. Desse arranjo inicial, cujo (anti) método é o conceito de rizoma, dá-se início à análise das fontes, divididas em três registros: do dizer; do olhar; e da voz. Do dizer são evidenciados tanto atos de fala de manifestantes no gesto de fuga do enquadramento discursivo de jornalistas, quando do próprio discurso da mídia corporativa a partir das matérias e de análises de especialistas na busca do que sempre fracassa, ou seja, de resumir os eventos numa narrativa possível de fechar o sentido, de interpretar os fatos sem deixar pontas soltas. O olhar já vem ocupar outro registro e posição do sujeito, agora compondo a multidão enquadrada nas lentes de aparelhos fotográficos ou de captura da imagem em movimento. Na sequência, é a fala dispersa na multidão que se perde para deixar pulsar a voz. Para dar conta da voz como pulsão invocante, ou da voz como expressão de fuga, vídeos amadores são tomados como materialidades para a análise. Do dizer, destaca-se a fala de uma integrante do Movimento Passe Livre que se coloca como expressão desse estranho objeto: “Anota ai, eu sou ninguém”. Do ver, a imagem Ceci n´est pas vingt cents, releitura do quadro Isto não é um cachimbo, de René Magritte, coloca em xeque o modelo de representação e pelo qual se dará o início de uma série de imagens que operam como esquize do olhar. Por último, a proliferação de falas, divulgadas em vídeos produzidos durante os protestos, apontam para a emergência da voz como abertura do sem sentido. Às análises seguem dois pressupostos teóricos, da filosofia de Deleuze e da psicanálise de Lacan, mas, a partir destes dois autores, uma nova cena teórica se abre, em certa medida seguindo o campo acentuado por Alain Badiou, da anti-filosofia, ou, talvez, melhor pontuar como os autores que, na trilha de Nietzsche, buscam inverter o platonismo, motivo pelo qual a noção de simulacro ganha certa relevância neste trabalho e pelo qual se destaca a crítica à noção de representação. Os protestos de junho de 2013 são analisados no que permanece neles como acontecimento, ou seja, como o que não se deixa simbolizar. Para além deste movimento de se debruçar sobre o que escapa à representação, destaca-se a noção cunhada de sujeito intervalar como esforço de interpretar o gesto de vida que caracteriza a contemporaneidade. Sujeito que emerge no intervalo das imagens que se projetam na tela escura de dispositivos móveis, como smartphones. Quando é novamente acionada a tela escura após um tempo de consumo de imagens, repete um rastro do sujeito - uma imagem espectral - que logo desaparecerá ao sair do intervalo.

 

Palavras-chave: Objeto. Quase causa. Representação. Acontecimento junho de 2013.


versão integral

 

Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem

Campus Tubarão:  Av. José Acácio Moreira, 787, Bairro Dehon, 88.704-900 - Tubarão, SC - (55) (48) 3621-3369

Campus Grande Florianópolis: Avenida Pedra Branca, 25, Cidade Universitária Pedra Branca, 88137-270 - Palhoça, SC - (55) (48) 3279-1061