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2015

Título: Roteiros de Iniciação Científica: os primeiros passos da pesquisa científica desde a concepção até a produção e a apresentação

Autor: Fábio José Rauen

Referência: Palhoça: Ed. Unisul, 2015

ISBN: 978-85-8019-057-1

Apresentação: O que move o ser humano a pesquisar ou investigar? Supostamente, isto decorre dos desafios da vida aliados à ânsia natural por um algo mais. O ser humano dispõe-se a conhecer, movido, basicamente, por duas necessidades intrínsecas: sobrevivência e evolução. Se, por um lado, conforme Hegenberg (1973, p. 22), a necessidade de ajustar-se ao contorno é imperiosa para o ser humano (sobrevivência), por outro, conforme Bebber e Martinello (1996, p. 1), esta propensão ao algo mais o torna “um ser em direção”, uma “seta em andamento”, em constante devir histórico, marcado por conhecimentos cumulativos e, mesmo assim, parciais e incompletos (evolução).

Em latim, a palavra investigatio significa procura diligente com vistas à solução de uma pergunta. Para que tal procura seja reconhecida como científica, ela deve seguir certos parâmetros estabelecidos pelas comunidades científicas, razão pela qual o pesquisador iniciante precisa de roteiros seguros com os quais possa avaliar suas primeiras jornadas. Sabidamente, uma viagem em terras desconhecidas será muito mais segura, se o viajante dispuser de um mapa ou de alguma publicação, tal como um roteiro de viagem que sirva para antecipar seus passos. Não sem motivo, venho utilizando o termo ‘roteiros’ como título de minhas publicações em metodologia da pesquisa (Roteiros de Investigação Científica, 2002; Roteiros de Pesquisa, 2006).

Além disto, uma viagem por terras estranhas é também uma iniciação por estas terras, de tal sorte que se obtém, com o final da aventura, não somente o conhecimento destes lugares, mas ainda o conhecimento da forma como se viaja. Logo, também não é sem motivo que resgato, no título da presente obra, o termo ‘iniciação’ do título de meu primeiro livro (Elementos de Iniciação à Pesquisa, 1999).

Estas três obras, todas esgotadas, cumpriram seu papel de auxiliar as primeiras produções científicas de muitos estudantes brasileiros. Meus livros tiveram sua contribuição na produção de centenas de trabalhos de conclusão, monografias, dissertações, teses e demais publicações, motivo pelo qual me sinto recompensado em meu papel de educador. Contudo, nestes últimos anos, vinha alimentando o sonho de produzir uma obra que, embora se norteasse pelo mesmo espírito didático dos três projetos anteriores, caminhasse no sentido de uma visão mais detida do método, assegurando ao novo pesquisador não apenas a informação de que há este ou aquele roteiro de investigação, mas o conhecimento de como tal roteiro se configura. Obviamente, não se trata, aqui, de pretender esgotar os assuntos em discussão, mas de fornecer aos viajantes das primeiras jornadas, descrições mais robustas dos principais delineamentos de pesquisa. Meu propósito foi tão somente o de enfeixar, em doze capítulos, um conjunto de temas que gravitam em torno dos primeiros passos da pesquisa, desde a concepção de conhecimento até a produção e a apresentação de textos científicos.

No primeiro capítulo, dedicado à dimensão epistemológica de ciência, destacam-se, entre todos os demais, o conhecimento científico, técnico e tecnológico; define-se ciência e caracterizam-se os modos de conhecer em ciências formais e factuais; abordam-se a origem, a essência e a possibilidade do conhecimento, a noção de verdade e os modos de saber próprios do fazer científico; distinguem-se fatos, fenômenos, leis, conceitos, teorias e quadros teóricos.

Esta incursão funciona como pano de fundo para, no segundo capítulo, tratar da dimensão metodológica, com ênfase nos aspectos lógicos de abordagem. Neste capítulo, depois de se fazer uma revisão histórica sobre o conceito de método desde os gregos pré-socráticos até a modernidade, apresentam-se noções elementares de lógica formal para, em seguida, dar conta tanto de aspectos lógicos materiais – destacando-se os métodos indutivo, dedutivo e hipotético-dedutivo prevalentes nas pesquisas quantitativas, e os métodos fenomenológico e dialético prevalentes nas pesquisas qualitativas – como da detecção de argumentos falaciosos.

O terceiro capítulo se reserva aos aspectos práticos relativos ao planejamento de pesquisas. Após terem sido definidos os conceitos de pesquisa e de suas fases essenciais, e simulando-se a elaboração de um projeto, trata-se da escolha de assuntos, delimitação de temas, definição de problemas e de objetivos, elaboração de justificativas e de fundamentação teórica, para, mais adiante, trabalhar em profundidade a definição do desenho operacional da pesquisa com o qual o pesquisador estabelece como será a coleta, a análise e a interpretação dos dados ou achados de pesquisa. Além disto, é com base em questões desenvolvidas neste capítulo que os roteiros dos demais capítulos são organizados.

Um primeiro roteiro é aquele próprio das pesquisas bibliográficas, objeto do quarto capítulo. As pesquisas bibliográficas consistem no levantamento, leitura, fichamento, análise e interpretação de informações textuais passíveis de serem arquivadas em bibliotecas físicas ou virtuais, podendo constituir tanto uma revisão ou fundamentação teórica de um estudo de maior fôlego como o próprio estudo, caso das monografias bibliográficas. O capítulo destaca cada uma destas atividades, observando não apenas aspectos sobre leitura, marcações e sublinhados, elaboração de esquemas, resumos e fichas de leitura, mas também sobre a redação de textos científicos, incluindo a adequada citação e referência de obras de outros autores.

Os cinco capítulos seguintes são dedicados aos roteiros prevalentemente quantitativos. No quinto capítulo, tomadas como elementos constitutivos das hipóteses, destacam-se as variáveis quantitativas em pesquisas empíricas descritivas, correlacionais, pós-factuais e experimentais. Discutidas as relações de associação e de causalidade entre variáveis, distinguem-se aquelas que compõem o contexto experimental, causal e ampliado de uma pesquisa experimental, para, em seguida, dar conta dos planos clássicos de prova e, tomando por base a noção de validade interna e externa, apresentar um conjunto de desenhos experimentais, pré-experimentais, quase-experimentais e não experimentais (pesquisas de levantamento, correlacionais e pós-factuais).

No sexto capítulo, destaca-se a fase de coleta de informações em pesquisas quantitativas. Primeiramente, definem-se os conceitos de amostra e população e destaca-se a importância da seleção adequada de elementos amostrais. Em seguida, consideram-se aspectos técnicos dos instrumentos de coleta de dados, com ênfase na mensuração. Mais à frente, destacam-se conceito e tipologia de observação e, levando-se em conta, especialmente, as ciências sociais, apresentam-se as entrevistas orais, os questionários e os formulários. Por fim, reserva-se espaço aos testes-piloto.

No sétimo capítulo, aborda-se a descrição das informações. Uma vez diferenciadas as operações de análise e de interpretação das informações, apresenta-se um conjunto de técnicas estatísticas e gráficas, com o objetivo de explorar, organizar e tratar os dados ou achados disponibilizados pela fase de coleta. Entre os temas tratados no capítulo, destacam-se as noções de classificação, codificação, tabulação, computação; as medidas de tendência central, de dispersão, de assimetria e de curtose; e as formas de apresentação das informações, especialmente tabelas, quadros e gráficos.

No oitavo capítulo, apresenta-se a estatística inferencial, uma vez que as pesquisas quantitativas lidam, contingencialmente, com a estimativa de parâmetros, tendo por base os dados estatísticos. A tarefa da estatística inferencial é prover testes capazes de, assumindo-se erros amostrais toleráveis, extrapolar para a população as evidências colhidas nas amostras. O capítulo dá conta de testes de significância paramétricos e não paramétricos, de coeficientes de associação e de análise de regressão.

No nono capítulo, dedicado aos delineamentos biomédicos, além de se apresentarem as múltiplas formas de classificação destes estudos, mostram-se, em seções específicas, os ensaios clínicos e quatro estudos observacionais: estudos de coorte, estudos de caso/controle, estudos transversais e estudos ecológicos, discutindo desde o conceito destes estudos até formas de tratamento estatístico dos dados obtidos.

O décimo e o décimo primeiro capítulo dedicam-se às pesquisas qualitativas. No décimo capítulo, apresentam-se as características essenciais das pesquisas qualitativas, entre as quais a objetivação, a validade interna, a validade externa, a confiabilidade e a ética na coleta, análise e disseminação dos achados. O capítulo destaca o papel da literatura nestes estudos, desde a introdução até a discussão das conclusões, apresentando algumas técnicas de coleta de informações (entrevista não estruturada, história de vida, grupos focais, observação participante, pesquisa documental), de análise e interpretação (recorte dos conteúdos, análise etnográfica, análise de conteúdo, teoria embasada) e de redação de relatos qualitativos. O décimo primeiro capítulo apresenta cinco desenhos qualitativos de pesquisa: a pesquisa fenomenológica e o estudo de caso, de caráter descritivo; e a pesquisa-ação, a pesquisa participante e a pesquisa mediadora, de caráter interventor.

No décimo segundo capítulo, finalmente, apresentam-se em linhas gerais os diversos gêneros textuais acadêmicos: monografias, dissertações e teses; relatórios de pesquisa; os livros, as coletâneas e os folhetos; os artigos em periódicos científicos; os ensaios; os papers, as comunicações científicas, os pôsteres e as resenhas críticas; e, mais adiante, os currículos e os memoriais descritivos; os sumários, resumos, descritores, palavras-chave e índices nos textos acadêmicos. O capítulo também aborda três formas de organização textual de trabalhos acadêmicos, bem como apresenta instruções para a apresentação ou comunicação de trabalhos, com ênfase em questões práticas relativas à defesa de trabalhos de conclusão de curso.

Com base neste livro, supõe-se, o leitor tem acesso a vários ‘Roteiros de Iniciação Científica’. Fundamentado nos conceitos teóricos dos dois primeiros capítulos, ele procede desde a escolha do assunto (capítulo 3) até a defesa de seu trabalho (capítulo 12), escolhendo uma gama considerável de caminhos alternativos (capítulos de 4 a 11). Não obstante, destaque-se que roteiros sem viagens nada valem. Pouca valia tem conhecer métodos, sem aplicá-los. Com este livro, não quero somente sugerir caminhos para uma jornada de investigação científica, mas também convidar o leitor a trilhá-los e descobrir por si mesmo a emoção de conhecer. Como diz Maturana (2001, p. 52), “o que faz com que alguém seja um cientista é a paixão pelo explicar.” Conhecer caminhos para a explicação é somente parte desta aventura.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram com a consecução desta obra. São muitas. E, todas, especiais. Em particular e enfaticamente, agradeço à professora Amaline Boulos Issa Mussi pela atenta e criteriosa revisão dos originais e pela paciência demonstrada por compreender minhas teimosias alfabetizadas. Segue também meu reconhecimento à Universidade do Sul de Santa Catarina, à Editora da Unisul e ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem pelo acolhimento, viabilização e inclusão do projeto na Coleção Linguagens.

Por fim, quero reconhecer publicamente minha dívida com todos os autores que foram citados e mesmo aqueles que sequer consegui reconhecer. Espero ter feito justiça à maioria e inclino-me diante da qualidade de suas obras primeiras. Mais uma vez, enlevo-me diante da virtuose do concerto destas “inúmeras e competentes vozes” e só me cabe agradecer a cada um dos autores que me inspiraram e pedir perdão por não ter sido competente o suficiente para entendê-los em plenitude. No que se refere ao concerto em si, deixo o julgamento de méritos e deméritos ao leitor.

 

2013

Título: Televisão: formas audiovisuais de ficção e documentário

Organizadores: Dilma Beatriz Rocha Juliano, Gilberto Alexandre Sobrinho e  Miriam de Souza Rossini

Referência: Palhoça: Ed. Unisul, 2013

ISBN: 978-85-8019-060-1

Apresentação: A televisão pensada como meio cultural, informativo, de entretenimento marcado histórica e ideologicamente, já obteve reconhecimento há muito, na sociedade brasileira. Trata-se de um “bem simbólico” e é validada como “fato social”. No entanto, sua legitimidade acadêmica ainda é recente e são tímidas as análises que a incluem no escopo das manifestações culturais e artísticas de reconhecimento mais antigo. Esta realidade, é possível afirmar, é mais do que apenas brasileira; os estudos sobre a complexidade de produção, os intercâmbios técnicos e os hibridismos estéticos na televisão também são poucos no âmbito das pesquisas universitárias internacionais.

Adorno estava correto ao prevenir que é preciso olhar com desconfiança para a televisão em seu caráter “educativo” e “emancipatório”. A desconfiança daqueles que perguntam, que vão além da superfície do objeto, mantém sob debate a dinâmica cultural na qual se inserem as produções e os arranjos televisivos. Ampliar o modo de ver, estender linhas em várias direções, permitir o estudo das práticas televisivas em suas inegáveis conexões e infinitos cruzamentos, é a tarefa do crítico da cultura que percebe o meio imbricado na complexa rede do audiovisual contemporâneo.

É sob esta demanda crítica que o Seminário Televisão: formas audiovisuais de ficção e documentário2 traz o Volume III de sua publicação, onde podem ser lidas e recolocadas em debate as reflexões de pesquisadores, acadêmicos e produtores participantes do Seminário, em 2012.

O Seminário vem acontecendo, desde 2010, nos Encontros Anuais da SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –, que a par da dinâmica cultural estende seus estudos sobre a ficção e o documentário exibidos em TV, reunindo pesquisadores com os mais variados interesses, instituições, regiões geográficas e abordagens teóricas.

Este volume agrega o resultado dos debates desenvolvidos em 2012, mas sem encerrar ou apaziguar as dúvidas. A intenção é expor trajetórias de pesquisa, marcar lugares – sempre – provisórios de análises e contribuir para o reposicionamento da discussão sobre a complexa produção de ficção e de documentário para a TV.

Os capítulos deste livro estão distribuídos em três sessões que aproximam os textos, mas não os contêm, uma vez que é reconhecida a impossibilidade de fixar classificações em se tratando dos fluidos objetos da cultura.

versão on-line

Título: Cinema, globalização, transculturalidade

Organizadores: Alessandra S. Brandão, Anelise R. Corseuil e Ramayana Lira

Referência: Blumenau: Nova Letra, 2013

ISBN: 978-85-7682-906-5

Apresentação: Os artigos reunidos neste livro discutem as formas como os processos de globalização e seus corolários afetam as construções audiovisuais, sem deixar de reconhecer as forças singularizantes das imagens transculturais que essas obras engendram. Os textos resultam de pesquisas e discussões realizadas no Seminário Temático Cinema, Globalização, Transculturalidade, que aconteceu durantes os Encontros da SOCINE - Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual - entre os anos de 2008 e 2011.

 

2012

Título: Políticas dos Cinemas Latino-Americanos Contemporâneos

Organizadoras: Alessandra Brandão, Dilma Juliano e Ramayana Lira

Referência: Palhoça: Ed. Unisul, 2012

ISBN: 978-85-8019-044-1

Apresentação: Uma América Latina, um cinema latino-americano. É difícil sustentar essa unicidade no contexto contemporâneo de atravessamentos, impurezas e hibridismos. Se houve, em determinado contexto histórico a necessidade de se afirmar uma identidade latino-americana frente ao inimigo colonizador, o mundo hoje recusa essa dialética tão direta. Por isso, pensamos em cinemas latino-americanos. A opção pela pluralização, contudo, não significa uma abordagem que coloca lado a lado os cinemas nacionais do continente, formando, assim, um mosaico multicultural e desproblematizado. Indica, antes, uma atenção ao vazamento das fronteiras e uma abertura ao contágio. Uma política, uma política para o cinema latino-americano. Outra empreitada árdua, se tomada no singular morfológico. Haverá tantas políticas quantas formas de reconfigurar o comum. Aqui, apontamos três dessas formas: afetos, deslocamento e real. Três formas de pensar como o cinema pode redesenhar o comum e apontar possíveis. Políticas, pois, no plural. Políticas dos cinemas latino-americanos contemporâneos. Cinemas onde a política não é, necessariamente, uma questão de representação, afinal, como nos mostra Jacques Rancière, “A arte não produz conhecimentos ou representações para a política. Ela produz ficções ou dissensos, agenciamentos de relações de regimes heterogêneos do sensível” (2010, p. 53). A proposta dessa publicação é, pois, colocar lado a lado perspectivas diversas, formando assim uma constelação que indique diversos caminhos para entender a cinematografia latino-americana hoje. Não se buscou uma tônica metodológica; pelo contrário, optamos por múltiplos olhares sobre as políticas dos afetos, do deslocamento e do real. Temos, assim, uma série de respostas aos problemas colocados pelos filmes que revela a amplitude do campo dos estudos do cinema.

Título: Ficção de pesadelos (pós)modernos

Autor: Fernando Vugman

Referência: Palhoça: Ed. Unisul, 2012

ISBN: 978-85-8019-032-8

Apresentação:

Por que repensar as relações entre o modernismo e o pós-modernismo na produção cultural contemporânea?

Em pleno século XXI, convivendo com um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, com interconexões globais e intermidiáticas ao alcance de nossas mãos, somos confrontados com imagens e narrativas que questionam o nosso mundo globalizado e pós-industrial, preconizado por teóricos do porte de Fredric Jameson, Jean-François Lyotard e Guy Debord. Se de um lado temos uma economia global, neoliberal e pós-industrial, característica do momento pós-moderno, por outro, temos eventos históricos que colocam em cheque conceitos associados ao pós-moderno, tais como o suposto enfraquecimento da narrativa da nação. Recentemente, dois eventos marcaram a relação problemática entre o local e o global na contemporaneidade: o primeiro foi a crise econômica estadunidense de 2008, que arrastou consigo casas, empregos, estabilidade e crescimento, espécie de Maelström, ou olho do furacão, nas palavras de Edgar Allan Poe. O segundo foi a morte de Kadafi com imagens de barbárie reproduzidas pela mídia digital ad infinitum. Em que pós-modernidade vivemos ao nos depararmos com tais cenas? No primeiro caso temos uma barbárie econômica, sem leis que protejam os seus cidadãos; no segundo, a barbárie da mídia, que não mede esforços em seu potencial de reproduzir imagens que se perdem de seu referente para reviverem, sensoriamente a violência e o caos de imagens deslocadas de sua própria história.

Se a história está referendada em uma narrativa da nação, o global, como discurso, se reproduz livremente, sem fronteiras e referentes, a perder de vista a historicidade de tudo que nos constitui. Neste sentido, o livro de Fernando Vugman sobre o romance de George Orwell, 1984, e sua adaptação para o cinema, Brazil, apresenta uma excelente discussão sobre as relações entre o modernismo e o pós-modernismo e é atualíssimo em sua importância acadêmica e cultural frente à fragmentação do discurso da nação e do sujeito na atualidade. O livro nos faz repensar as teorias de Fredric Jamenson, Linda Hutcheon, Jürgen Habermas, Jean-François Lyotard e Guy Debord sobre o pós-modernismo em um contexto diferenciado daquele em foram lançadas. O pós-modernismo, como termo que pode dar conta da fragmentação e multiplicidade da nossa contemporaneidade, é visto a partir das definições seminais destes teóricos e aplicado em uma análise cuidadosa dos dois textos narrativos: 1984, como exemplo do modernismo e Brazil, como adaptação livre do texto de Orwell em um contexto pós-moderno.

Além de apresentar questões conceituais e filosóficas sobre o modernismo e o pós-modernismo, o livro também reflete sobre a inter-relação entre a história, a literatura e o cinema, pois Vugman contextualiza a narrativa ficcional de Orwell e Gilliam no momento histórico em que seus textos se inserem: 1984 foi publicado no período do pós-guerra, em 1949, Inglaterra, e Brazil, também inglês, foi lançado em 1985. O foco do livro é as formas como as duas obras ficcionais se relacionam com a ideologia dominante no momento em que as grandes narrativas tinham já pesos e medidas diferentes: com o neoliberalismo da década de 80, as narrativas da nação e do sujeito, coerentes e unívocas, eram substituídas pela fluidez do capital em um mundo globalizado, enquanto que, no final da década de 40, ainda se alicerçava a visão de mundo nos dois sustentáculos, nação e sujeito, mesmo que, já no pós-guerra, como bem indica Vugman, tais narrativas não davam conta da fragmentação e destruição ocasionadas pela Segunda Guerra Mundial.

[...]

 

Profa. Dra. Anelise Reich Corseuil

Programa de Pós-Graduação em Inglês

Universidade Federal de Santa Catarina

 

2010

Título: O travesti e a metáfora da modernidade

Autor: Sandro Braga

Referência: Florianópolis: Editora Unisul, 2010

ISBN: 978-85-8019-002-1

Apresentação:  Neste livro, o personagem perde seu exotismo e ganha em complexidade. Perde sua gratuidade para adquirir gravidade. E, sem perder sua graça, deixa de ser risível. Assim, Sandro o aproxima de todos nós. Ao transformar o corpo e se subjetivar em outra forma, absorve e reflete um pouco de todo homem contemporâneo. Percebo, além dos objetivos expostos pelo autor, um interesse adicional para seu trabalho que considero da maior relevância. Sua contundência ao demonstrar o que há de nós nele(a)s torna seu texto um dos pontos altos do esforço intelectual para deter a maré montante da obscuridade repressora, irônica ou moralista: “O travesti não está apenas se emoldurando numa plástica de vitrine, mas evocando e dramatizando o andamento desesperado e o ritmo frenético, que a sexualidade, a felicidade e o desejo instauram e impõem a todas as facetas do contemporâneo. Isso nos leva a sentir que participamos da ação, lançados na corrente, arrastados, fora de controle, ao mesmo tempo confundidos e ameaçados pela impetuosa precipitação gerada pela nossa não identidade, ou pela falta de sua certeza. Afinal, o que queremos, para onde queremos ir?” A grande novidade do trabalho de Sandro Braga consiste em demonstrar que, neste “regime de inversão simbólica”, “o processo subjetivo do travesti” se faz pela “mudança de traje e ornamentos”, “mutação do corpo”, temas dos quais vários outros trabalhos se ocuparam com maior ou menor brilho, mas também por “uma complexa variação da linguagem de referência a si”, do que raros trataram, poucos se referiram e ninguém discorreu de forma tão ampla e precisa quanto Sandro, associando-a ao legado constituído e dialogando com a tradição ainda recente de estudos sobre o tema. (Hélio R. S. Silva)

 

Título: Literatura Infantil e Juvenil: leituras, análises e reflexões

Organizadoras: Chirley Domingues, Dilma Juliano e Eliane Debus

Referência: Florianópolis: Editora Unisul, 2010

ISBN: 978-85-8019-001-4

Apresentação: Das questões panorâmicas ao encantamento das ilustrações dos livros infantis, esta coletânea, organizada por Eliane Debus, Chirley Domingues e Dilma Juliano, sintetiza e traz nova perspectiva às discussões que se desenvolveram em mesas-redondas no 4º Seminário de
Literatura Infantil e Juvenil de Santa Catarina, evento que começou timidamente e ganha força a cada edição. Da terceira edição nossa Coleção Linguagens já criou memória, publicando A literatura infantil e juvenil de língua portuguesa: leituras do Brasil e d´além-mar, em 2008, com organização de Eliane Debus. Explorando as muitas facetas da leitura e da poesia que aí se imiscui em todos os tons, a obra que agora se concretiza compõe outra leitura, dos grandes que se dispõem a olhar ternamente para os pequenos, traçando-lhes caminhos de salutar formação para o encantamento, bem como da formação literária de quem deve dirigir o olhar da infância e da juventude para uma nova visão das coisas. Esta coletânea interessa particularmente aos estudantes e profissionais do campo literário e, por extensão, a quem tem paixão pelas letras ou começa a ser iniciado em seus labirintos de dizível e indizível, da aventura e do mistério, encantando pequenos e grandes, mobilizando quem lê e quem escreve, estimulando quem se dispõe à vida. (Maria Marta Furlanetto)

 

2008

Título: Como o texto se produz: Uma perspectiva discursiva

Autora: Solange Leda Gallo

Referência: Blumenau: Nova Letra, 2008

ISBN: 978-85-7682-374-2

Apresentação: Neste trabalho Solange Gallo desenvolve noções essenciais sobre o texto, à luz da AD. Sua noção de textualização resulta numa formulação muito importante para aqueles que se preocupam em desenvolver um ensino crítico e consistente. Por conseguinte, entendo que seu trabalho representa uma contribuição importante tanto para analistas de discurso, quanto para educadores. Aqui se pode ser um cem números de questões importantes e fundamentais tanto para refletir a questão da produção textual quanto para refletir a produção da leitura, percebidas ambas a partir da prática discursiva de textualização, pois, nas próprias palavras da autora "não há TEXTO enquanto um objeto que tenha uma existência independente da prática de sua produção (ou de sua reprodução). Na verdade, é a prática de TEXTUALIZAÇÃO que produz o TEXTO. Essa prática pode ser mobilizada indefinidas vezes em que o TEXTO será reproduzido em novas leituras. O TEXTO é definido, então, pela sua inscrição, pela sua escritura". Por isso, entre tantos outros pontos que deixo de reproduzir, entendo seu trabalho essencial e sobremodo valioso para os dois domínios teóricos em que ele se inscreve.

Título: Ciências da Linguagem: Avaliando o percurso, abrindo caminhos

Orgs: Sandro Braga, Maria Ester Wollstein Moritz, Mariléia Silva dos Reis e Fábio José Rauen.

Referência: Blumenau: Nova Letra, 2008

ISBN: 978-85-7682-357-5

Apresentação: Esta coletânea é muito mais que um conjunto de textos, é uma intenção: a de trazer à baila o estado de arte; fazer uma retrospectiva histórica; e estabelecer perspectivas em relação às pesquisas desenvolvidas pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que este livro celebra os dez anos de implantação do PPGCL, também renova a intenção do Programa de ajudar a construir, desenvolver e fortalecer a comunidade de pesquisadores, professores e alunos que trabalham temas com implicações, tanto em lingüística, como em literatura, comunicação social e pedagogia. Os textos que constituem esta coletânea são resultados de pesquisas desenvolvidas pelas linhas de pesquisa Textualidade e práticas discursivas, Análise Discursiva de processos semânticos e Linguagem e processos culturais do Programa e servem ainda para situar futuros trabalhos, demarcando áreas de possíveis investigações cientificas. Consideramos que este seja um passo importante para a consolidação da pesquisa em Ciências da Linguagem em nossa universidade, uma vez que nos pautamos por um viés multidisciplinar no campo da linguagem e sociedade.

versão on-line

Título: A literatura infantil e juvenil de Língua Portuguesa: Leituras do Brasil e d'além-mar

Organizadora: Eliane Santana Dias Debus

Referência: Blumenau: Nova Letra, 2008

ISBN: 978-85-7682-355-1

Apresentação: Trazer, em forma de textos, reflexões sobre a literatura infantil e juvenil, por certo, será servirá como referência e contribuirá sobremaneira para a formação inicial de professores, em especial dos cursos de Letras e Pedagogia, bem como daqueles professores que já estão em serviço. Aos pesquisadores, este material possibilitará um encontro com a literatura para crianças por um original viés. Essa originalidade reside em dois fatos em especial: 1) é o primeiro livro em Santa Catarina a tematizar aspectos teóricos sobre a literatura infantil e juvenil produzida por aqui; 2) aproxima de nós a literatura de recepção infantil e juvenil de Portugal, quase que desconhecida entre nós, embora falemos a mesma língua.

saiba mais

Título: O gozo estético do crime: dicção homicida na ficção contemporânea

Autor: Fábio de Carvalho Messa

Referência: Tubarão: Ed. Unisul, 2008

ISBN: 978-85-86870-61-3

Apresentação: Neste livro, Fábio de Carvalho Messa descreve um percurso de leituras que evidenciam o crime, em especial o homicídio, como temática e forma de linguagem na literatura contemporânea. O autor explora o tema a partir de relações estabelecidas entre textos de diferentes autores, para mostrar a existência de uma dicção própria do narrador assassino, representada em modos distintos. O homicídio como objeto de discurso e o homicídio como discurso próprio aparecem na literatura em categorias narrativas específicas. A dicção homicida se instaura entre perspectivas existencialistas e hiper-realistas, dotada de violência e pulsão narrativa.

Veja resenha de Fábio Lopes, UFSC sobre o livro aqui.

 

2007

Título: O contexto refletido: vozes sobrepostas de um diálogo

Autor: Ingo Voese

Referência: Tubarão: Ed. Unisul, 2007

ISBN: 978-85-86870-50-7

Apresentação: Quais as condições fundamentais da produção e da apreensão do discurso? Que determinações sociais operam para que se processe a apropriação de vozes e a interpretação – em suma, para que se efetive a interação humana com o discurso e sobre o discurso? Neste livro, que inaugura a Coleção Linguagens do Mestrado em Ciências da Linguagem da UNISUL, o autor busca compreender a complexa relação entre o  que está posto como contexto e o que está sendo produzido por aquele que se enuncia, que sofre a injunção de fazer escolhas e apropriar-se de vozes que circulam na sociedade, produzindo um discurso constitutivamente dialógico. Trabalhando com gêneros do humor irônico, o autor busca compreender e explicitar o modo de organização social em determinado contexto sociopolítico.

 

Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem

Campus Tubarão:  Av. José Acácio Moreira, 787, Bairro Dehon, 88.704-900 - Tubarão, SC - (55) (48) 3621-3369

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