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Página Inicial > Periódicos do Programa > Linguagem em (Dis)curso > volume 1, número 2, jul./dez. 2001

 

Linguagem em (Dis)curso

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Linguagem em (Dis)curso

volume 1, número 2, jul./dez. 2001


 

ESPAÇO POÉTICO

Estudantes e Docentes dos Cursos de Letras

e do Mestrado em Ciências da Linguagem

 

Barcarola

 

Que saudades tenho 

De meu amado que partiu,

Partiu num mar de lágrimas.

Em cima de um navio...

O navio foi diminuindo, 

No horizonte sumiu,

Levou todos os meus sonhos, 

E meu coração se partiu,

Ficou em mil pedaços

Espalhados pelas águas.

E o meu mundo...

Aqui ficou vazio,

Agora fico a esperar,

Olhar perdido no mar.

Quando será 

Que meu amor voltará? 

Marcia Leandro da Silva Ramos


Semiótica

 

Objeto solto no ar.

Envolto em signos imaginários

predestinados a serem compelidos

pelo interpretante.

São tantos ícones num emaranhado de sensações,

fugazes nos olhares desapercebidos.

Índice que factualmente nos liga à vida

num movimento imaginário,

definindo linhas na construção das formas.

E signos vão ladeando olhares,

percepções variadas 

feitas nos argumentos enriquecidos

por deduções, induções e abduções...

Conclusões em hipóteses tardias

fazem da mente uma predição virtual.

É a trilogia dos signos

que faz o universo ser inverso a si mesmo.

Carla Beatriz Souza Lopes


(( Meta)) Linguagem

 

É vaga,

quase absurda

a diluição de verdades.

Ilógica feito mundo quadrado.

Deparo-me com a lógica distorcida

da primeira linguagem.

Quase sem rumo,

ainda em brumas,

vejo-me inerente aos meus pensamentos

insanos, desnudos, 

quase soltos,

buscando a alegoria

na perfeita construção da idéia.

Carla Beatriz Souza Lopes


Tarde cristalina

 

Transparente, vacía, 

ilusorio sufrimiento,

mis pensamientos

distantes y centellantes.

Mi cuerpo irradía, 

flotando en silencio,

huellas del tiempo

ofegando desatento.

Despedazada en gotas, 

bordada de reflejo,

llora, llora

el gemido del horizonte.

Acioly de Souza Rodrigues


Reencontro

 Tal qual anjo um dia chegaste,

 Tal qual anjo um dia partiste.

 Talvez, tenhamo-nos perdido 

 No espaço, 

 Espaço ao qual somente os anjos têm acesso

 E ao qual tu tiveste,

 E a que eu, por certo, 

 Não tive. 

Albertina Felisbino


Não sei

Sinto o gosto dos teus beijos em meus lábios,

Como versos que declamei ao vento.

Sinto tuas palavras em um gozo qualquer,

Como rimas que inspiram o viver...

Te procuro em meio ao consolo.

Te desejo como nunca desejei alguém.

Pensamento, voa quando não estou ao teu lado.

Mas o tempo revive cada momento...

Que penso...

Meu olhar contra o teu...

Como chama ardente...

Que me faz adormecer em teu colo...

Beleza existente num zelo...

Este apareceu sem dizer nada...

Se aproximou de mim com encanto...

Caminho, tentando evitar o teu olhar...

Mas sei que prefiro viver cada instante perto de ti!!!

Gosto do sabor que tens.

Esse desejo que contenta a alma.

Sinto o aroma da paz em teus lábios.

E não me canso de te beijar...

Minhas feridas desaparecem.

Meus remorsos morrem.

Meu passado esteve aqui, mas se foi...

Meu sorriso contempla o teu...

Carla Regina Guimarães


Luar

 

Noite de lua

Festa de rua

Lua no céu desfilando

Olhos curiosos fitando-a

Lua na rua

Olho da rua na lua

A lua e o frio

O frio e o rio

O rio e o barco

O barco e o braço

O braço do remador

O cansaço do pescador

O espelho das águas do mar

O frio de quem vai a remar

O remo do barco

O barco e o arco

O arco do violinista

O momento do artista.

Elza de Mello Fernandes


Pássaro de ferro

 

A fremosura daquelas asas nemorosas,

num movimento rítmico de afago,

meu alembro ainda embalado,

pela vida que delas irradiava.

É pássaro condenado à liberdade,

de fazer ninho em qualquer árvore,

sem lembrança do passado,

nem mesmo esperança no amanhã.

Tem o céu como morada,

e de lá constantemente desce,

para encantar os adormecidos licornes

que desejam lá chegar.

É ele que espanta a mãmolência de conto-de-fada,

a redondez cega da pureza,

que tem os pés presos no pasto 

e que vive de cabeça baixa.

Seu vôo rasante e suas piruetas,

excitam a trigosa alma dos licornes,

causando o descômodo de estar ofuscando,

pelo relume da verdade.

Então os licornes agitados correm,

com suas crinas esvoaçantes,

aspirando ao toque do pássaro

e à liberdade de também voar.

Embriagados com sua presença, 

e apesar do belo trotear,

percebem que não o encantam na verdade,

mas que se deixam encantar.

Na duvidação não mais ensandecem, 

e de solau já não mais se ocupam,

pois, quando um pássaro de ferro neles pousa,

nenhum licorne mais o mesmo permanece.

Sabrina Nunes Justino


Por um pedaço de pão

 

Onde chegamos no mundo:

o homem não tem mais razão:

o homem é capaz de tudo

por um pedaço de pão.

Não dá mais valor à vida

e tira a vida do irmão

por um pedaço de pão.

Mora no meio das ruas

em casas de papelão:

designado a tudo

por um pedaço de pão.

O homem vive com fome,

nas ruas vira ladrão:

o homem já faz de tudo

por um pedaço de pão.

O homem, mesmo sem fome,

mata o outro em vão:

o homem é capaz de tudo

por um pedaço de pão

O homem já não é homem,

o homem já virou cão,

o homem já fez e fará tudo

por um pedaço de pão.

Charlotte Duarte da Silva


Olhos

 

Oceanos serenos por onde uma essência

navega,

se entrega,

vencida,

plena...

Albertina Felisbino


Construtivismo

 

Sonhei

   Brinquei

     Rezei

   Falei

Será que alguém ouviu a minha voz

Ou ficou simplesmente ao léu,

Perdida no beleléu?

Trabalhei

   Suei

      Fabriquei

Inventei

Será que alguém viu minha construção

Feita de amor, carinho e paciência

No postigo da constância?

Plantei

   Cultivei

      Gostei

         Amei

Será que alguém enxergou este mistério

Eclipsado pela mais valia

Ou fui julgada a revelia?

Andei

   Palmilhei

      Viajei

         Sangrei

Será que alguém observou a minha estrada

E viu cada uma das pedras de tropeço

Que precisaram do meu arremesso?

Cansei

   Cansada estou

      Sozinha vou

A brisa em segredo sussurrou

Que o sonho ainda não acabou,

Mas eu vou... dormir.....

   Dormir...

      Dormir

         Dormir

Ou morrer?????

Elza de Mello Fernandes


Filho

 

Esta situação nemorosa

De tristeza e trigosa,

Passei de licorne a leoa

Me levou à mãmolência

Que meu ser não conhecia.

O descômodo e a redondez

No meu corpo predestinado 

Da vida fizeram-se anúncio.

Ser relumiando em chegada 

Triunfante...

És essência de minh,alma,

Tormento que também me acalma,

Amor de que não abrirei mão,

Parte de meu coração.

Adriângela Barreto de Aguiar


Silêncio

 

Eu quis ficar, me calar

E aceitar todos os teus defeitos

Eu quis viver te amando

Mesmo sabendo que um dia iria sofrer.

Eu quis tentar, mesmo

Chorando só por te amar.

Eu quis morrer ao saber

Que o meu mundo era diferente do teu.

Eu quis te esquecer 

E por todos os caminhos andei, 

Procurando um rosto

Diferente do teu...

Alcione Brunato


Se a pátria fosse mãe

 

Se a Pátria fosse mãe...

O suco de seu peito seria branco.

A liberdade, a redoma de um aconchego,

agasalhando os sonhos do sono brando.

Se a Pátria fosse mãe...

A fala que fere e navalha,

seria doce líquido na garganta

daquele que chora e gargalha.

Se a Pátria fosse mãe...

A dor, a esmagaria no seio,

misturada à doçura do coração,

amamentaria os filhos do desespero.

Se a Pátria fosse mãe...

A mão acariciaria a dignidade.

A violência somada ao ódio,

transformar-se-ia em lealdade.

Se a Pátria fosse mãe...

O céu desceria.

As injustiças, o manto azul as cobriria.

O sorriso resplandeceria.

Ah! Se a Pátria fosse mãe...

A linguagem seria universal.

O amor resplandeceria

e o doar-se seria real.

Na vida sonhamos sempre,

e quem não sonha,

não faz parte deste círculo.

Sonhamos em SER e em TER;

sonhamos às vezes com algo longe de nossa capacidade momentânea.

Quando, entretanto, somos mãe,

o nosso sonho maior são os filhos;

o bem-estar de um futuro tranqüilo

em termos de homens capazes de serem o próprio amor;

palavra original 

e o elo que une a humanidade.

Maria Regina Zanetta Simoni


Luar

 

Noite de lua

Festa de rua

Lua no céu desfilando

Olhos curiosos fitando-a

Lua na rua

Olho da rua na lua

A lua e o frio

O frio e o rio

O rio e o barco

O barco e o braço

O braço do remador

O cansaço do pescador

O espelho das águas do mar

O frio de quem vai a remar

O remo do barco

O barco e o arco

O arco do violinista

O momento do artista.

Elza de Mello Fernandes


Crepúsculo da tarde

 

A lisura brilhante

ondeou cintilante

em silêncio triunfante

Deslustrando em remanso,

em arcos hesitante,

um olhar flutuante

estridula de alegria.

A magia dos nenúfares

reconfortada em sonhos,

visgo da lembrança 

no anseio de esperança...

Seu olhar afronta as águas, 

com medo arquejante.

Estilhaça-se em lágrimas,

se esvai de ansiedade

Acioly de Souza Rodrigues


Nosso motor imóve, Deus!

 

Deus todo-poderoso,

que moves o mundo,

Deus que estás acima, imóvel,

ouvindo nossos pedidos,

ouve, Ó Deus, o clamor

de um Aristóteles limpo

e translúcido.

Mas,

tampouco se satisfazem

as perguntas da alma.

Vem, Ó Deus,

junto a nós, desvendar

os caminhos de Aristóteles,

pois somente tu o conheces...

Ah! Conheces também

os nossos pensamentos,

mesmo em sonhos...

Oh! Filósofo tão desbravador, por quê?

O pensamento divino é simples e tão único.

Criação do Ser

Providência dos atos...

são tão presentes como conhecer o mundo...

Mas paro e penso...

O Deus de Aristóteles não é criador do mundo

nem o conhece, nem o afaga...

Mas, como? O mundo sente

e dobra os

joelhos perante o fascínio deste

Pai.

Em forma de agradecimento

e move...

clama...

busca...

E quer estar na sua direção.

Ah! Minha meta final chegou,

é o fim... do caminho.

Onde estás, meu filósofo Aristóteles?

E onde estás, ó meu Deus?

Vânia Ben Premaor


Linguagem caiçara

 

Te avia minha Bilica,

Acende logo a pomboca,

Tá quieta e não implica,

Que a viração vem aí.

Se nós vai de balieira,

Tu inté podi senti:

Se ela cai, ela imborca,

Na água tu vais caí.

Vem aqui c’om teu Maneca

Deixa de arriliação.

Não vai perdê a peteca

Com toda esta viração.

Tu sabes que o vento sule

Não é lá muito do bão,

Mas talvez venha a tainha,

Ou um cardume de sardinhas.

Não benze o tempo, Bilica,

Sinão ele fica brabo.

Com ele não se intica

Ele é grande e sargado,

E joga nas pirambeiras

O estranho mal fadado.

Vê na praia o berbigão

Que a maré já enterrou.

E cante o manjericão

Que a ratoeira encantou.

Não ti aflijas com comida,

Que a farinha é garantida

E o café de lóló

É melhor que pão-de-ló. 

Elza de Mello Fernandes


Vida

 

Que vida? 

Vida! 

Bem vivida ou mal vivida? 

Vida! 

Em todos os sentidos é vida. 

Tudo o que se vive faz parte da vida. 

Embora a vida seja aqui, seja lá, seja longe. 

De que importa? 

Importa, a partir da hora que é vivida. 

Momentos puros, momentos duros. 

Quem diria... 

Que não é vida? 

Sem dúvida é vida! 

Tudo o que vivemos nos encoraja e engrandece nossas vidas. 

Masoquismo? 

Quem pensaria? 

Se somos preparados para sentir, um dia... 

Dor, alegria, agonia.. 

São sentimentos da vida. 

De que importa? 

Importa, a partir do momento em que vivemos nossas vidas, sem a preocupação de haver a dor, um dia... 

Lucilene Zacouteguy Gazapina Espíndola


Sonho

 

Realidade expressa na vontade,

ou vontade expressa na realidade?

É a guerra findada;

é a pomba a voar;

é a mágoa acabada;

é o cheiro do ar.

Solução momentânea,

ou momento solucionado?

É o lamento da esperança;

é a dor das idéias sucumbidas;

é o choro da criança;

é a liberdade fingida.

Fechar os olhos p’ro mundo,

ou o mundo de olhos fechados?

É a cabeça raspada;

é a argola no dedo;

é a respiração pesada;

é nove meses de medo.

Montanha alta,

ou pernas curtas?

Sonho?

É a medida da tua vontade.

É o comprimento do teu querer.

Maria Regina Zanetta Simoni


Graças

 

Graças dou

pelo riso da criança,

pelo pássaro que encanta;

pela música que acalenta;

pela chuva que cai.

Graças dou 

pelo sol que levanta

e que vai...

Graças dou

pela noite que agasalha

no seu silêncio

o sonho de quem sai...

Graças dou

pela Lua

que, em suas múltiplas faces,

no seu ir e vir,

guarda os segredos

daqueles que ela, 

misteriosamente,

atrai.

Graças dou 

pelo amigo que, caridoso,

sempre comigo vai...

Graças dou 

pelo silêncio que me

coloca em sintonia

com o Pai.

Graças dou

por esta lágrima

que cai e

que Deus recolhe e

transforma em gotas de luz

e num mar de esperança –

esperança na vida que vem

e que vai...

Graças dou pela vida

por ter me dado tanto!

Graças dou por você no meu caminhar: porque

é Luz, Crescimento, Aprimoramento, Redenção...

Albertina Felisbino


Fases da vida (...)

 

Cada uma de minhas rimas será uma esperança em teu olhar.

Cada verso meu será o meu amor poético, que está e sempre estará 

dentro desta minha fortaleza.

Cada sorriso teu renova o sentimento que tenho pelo viver.

Guardo os meus significados dentro da minha essência poética (...)

Descobre, se fores mestre na arte poética.

Desilusão, temporal que seca, que ameniza o coração sofredor.

Aprendi a lidar com as lembranças,

constante ausência tua em meu peito (...)

Acredito na liberdade de expressão:

teu sorriso franco, e essa paz desconhecida

que me desperta desejo,

fascínio contido em pensamento (...)

Doce melodia.

Mera confidência de um ser.

Sonhador de alma:

divina comédia é a vida sem realização,

profundo soneto.

Amanhecem o tempo e o vento unidos em uma só canção,

para eternizar a tua face na minha, em uma só voz, 

para localizar o teu olhar em meio ao destino.

Navegar na própria memória,

retroceder ao instante que me fez voltar ao passado,

e relembrar o sorriso.

A virtude de querer bem à vida ainda não se perdeu na ilusão (...)

que se desfez:

ficou perdida a dor.

Os olhos molhados hoje brindam com o presente.

Se choro ou sorrio,

se vivo ou morro,

se sou eu ou não,

se estou aqui ou ali,

se estou num abismo, sairei logo (...)

pois tudo tem um pedaço partido.

Fases da vida que marcam a carne, a alma, a essência (...)

de quem um dia já experimentou a arte

de conhecer o sofrimento da perda:

da ausência chorosa.

desespero melancólico,

que se reduziu ao crescimento pessoal (...)

Fases constantes, 

fases como estas que fortalecem a sobrevivência humana e espiritual

de todos os que acreditam que é possível driblar a tristeza 

pois o amanhã nunca morrerá,

Carla Regina Guimarães


Luar

 

Noite de lua

Festa de rua

Lua no céu desfilando

Olhos curiosos fitando-a

Lua na rua

Olho da rua na lua

A lua e o frio

O frio e o rio

O rio e o barco

O barco e o braço

O braço do remador

O cansaço do pescador

O espelho das águas do mar

O frio de quem vai a remar

O remo do barco

O barco e o arco

O arco do violinista

O momento do artista.

Elza de Mello Fernandes


Linguagem em (Dis)curso

 

O poder da linguagem está

na dística arte...

no tão célebre desbravar do poderio

de conceitos,

outrora questionados e inovados

por lingüistas da sensatez...

A LINGUAGEM EM (DIS)CURSO torna poesia

a mais bela e doce sabedoria,

sob a imensa e fecunda transparência

dos enunciados de um discurso,

pois há uma visão nova do objeto

sob o ponto de vista

tão calidamente observado

nas facetas do conhecimento

ressurgidas em palavras 

e em linhas do horizonte,

tão sábio...

Eis a LINGUAGEM EM (DIS)CURSO

com sede de ter e ser sucesso...

Perfazendo a magnitude e a 

mais honrada legitimação

dos que almejam triunfar 

nas pesquisas da verdade 

humana... 

Vânia Ben Premaor

 

 

Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem

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