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Linguagem em (Dis)curso

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Linguagem em (Dis)curso

volume 1, número 1, jan./jun. 2001


 

Negação metalingüística e pressuposto:

algumas considerações semântico-pragmáticas

 

    Mariléia Silva dos Reis*

Resumo: Este trabalho tem por objetivo apresentar algumas reflexões sobre a negação metalingüística no quadro das teorias semântico-pragmáticas. Estas reflexões restringem-se a uma tentativa de sistematização de alguns estudos sobre o pressuposto, em relação a sua manutenção ou a seu cancelamento, em proposições cujo conteúdo posto é negado (Ducrot, 1977, 1987; Gazdar, 1979; Levinson, 1983; Horn, 1989; Moura, 1998). Pretende-se também procurar evidências empíricas deste tipo de negação (no Banco de Dados do Projeto VARSUL/UFSC) no sentido de corroborar a hipótese segundo a qual um pressuposto pode ser negado pragmaticamente, a depender das crenças e do conhecimento compartilhado que se tem em relação ao interlocutor de um enunciado.

Palavras-chave: Semântica, semântica argumentativa, negação metalingüística.

Abstract: The objetive of this work is to show some thoughts about the metalinguistic denial on the frame of the semantic-pragmatic theories. These thoughts restrict to a attempt of the systematization of the some studies about the maintenance or cancellation of pressupposition whose placed content is denied (Ducrot, 1977, 1987; Gazdar, 1979; Levinson, 1983; Horn, 1989; Moura, 1998). I intend to look for empiric evidences about this sort of denials, at the Varsul/UFSC Project Data Basis, for corroborate the hypothesis according to the pressupposition can be pragmatically denied, depending on the believes and the shared knowledge the locutor has in the relationship to the interlocutor of the statement.

 

1. Apresentação

 

No estudo da significação lingüística, de um modo geral, muitos têm sido os esforços de incorporar elementos contextuais na significação, tais como: conhecimento compartilhado, conjunto de proposições proferidas, referentes discursivos e contexto de uso das expressões referenciais. Estes elementos tornam-se relevantes para o tratamento da pressuposição e da referência lingüística. A recuperação da significação na negação metalingüística, no sentido de se retirar a ambigüidade de uma sentença, depende destes elementos contextuais.

Entendemos como conhecimento compartilhado aquele conhecimento “formado por um conjunto de proposições que são aceitas tanto pelo falante quanto pelo ouvinte” (Moura, 1998). É um elemento contextual que embasa o uso de pressuposto, considerado “o pano de fundo da conversação” (Ducrot, 1987). Assim, numa conversação, acreditamos que nossos interlocutores dominem um repertório de informações, sem as quais as informações novas que fornecemos não podem ser compreendidas. A pressuposição semântica faz parte, portanto, do repertório destes conhecimentos prévios dos interlocutores e, uma vez aceita como verdadeira, não pode ser cancelada em sentenças negativas.

Scott (1983, p. 102) delimita o conhecimento prévio como aquele conhecimento que o leitor (ou o interlocutor) traz para o texto (ou para a conversação) antes de lê-lo. Abrange o “conhecimento de mundo”, que todos possuímos em grande quantidade. Por exemplo, todo leitor sabe que elefantes são cinzentos, que café é uma bebida, e que a França é um país. Também pode abranger conhecimento que não é tão uniformemente partilhado: que baleias são mamíferos e não peixes e que Beethoven ficou surdo, por exemplo. Conhecimentos prévios também abrangem o conhecimento lingüístico.

Se precisarmos estabelecer um limite entre contexto semântico e contexto pragmático, definiríamos, por certo, esses conhecimentos compartilhados acima, como informações contextuais no nível semântico. Sabemos, entretanto, que há outros conhecimentos que interagem na conversação e que são, portanto, de natureza pragmática: as crenças e as intenções dos interlocutores, quando não compartilhadas lingüisticamente, mas inferidas pragmaticamente, ou seja, quando recuperáveis apenas na enunciação e não no enunciado. A negação metalingüística, que é objeto de investigação neste estudo, só pode ser explicada neste nível pragmático.

A relevância de um trabalho deste gênero justifica-se na medida em que, embora tenhamos alguns estudos sobre a manutenção ou cancelamento de um pressuposto em proposições negativas, em alguns aspectos este tema tem-se mostrado convergente e, em outros, divergente. Diferenças à parte, a negação constitui-se um objeto de estudo muito recorrente, ainda hoje em dia, tanto por semanticistas como por filósofos, principalmente no que diz respeito às informações inferidas a partir destas sentenças. Prova disso é a imensa bibliografia sobre o assunto. Na literatura especializada, encontramos trabalhos que tratam da negação desde o seu estatuto fundamental (semântica) até uma tentativa de defini-la mais abrangentemente, incluindo elementos pragmáticos.

Esta diversidade suscita inúmeras questões que necessitam ser elucidadas para uma melhor compreensão dos problemas de interpretação que envolvem as sentenças negativas em linguagem natural, tal como a ambigüidade, além das que se relacionam ao modo de como tratar este fenômeno, o da negação, na interface da semântica e da pragmática.

Procurar responder a estas questões não é o objetivo deste trabalho; entretanto, o registro destas informações evidencia que a negação é um fenômeno que está no centro de todas as grandes discussões semântico-pragmáticas contemporâneas, motivo suficiente para instigar a presente reflexão.

Os enunciados analisados são, na sua maioria, retirados da literatura, outros, adaptados a partir deles. Encontramos também, no Banco de Dados de Fala do Projeto VARSUL/UFSC, exemplos de negação que julgamos ser de natureza metalingüística, pelo fato de podermos manter ou cancelar seus pressupostos.

 

2 O problema

 

Sabemos que a pressuposição é contextual. A determinação da natureza semântica ou pragmática de um contexto é tarefa muito complexa: por mais que queiramos determinar seus limites, a construção do sentido de um enunciado poderá depender, simultaneamente, tanto de elementos contextuais semânticos quanto também de pragmáticos. É praticamente impossível delimitar onde acaba um e começa o outro. 

Consideramos contexto semântico, neste trabalho, para ilustração didática, todo o conjunto de informação compartilhado tanto pelo falante quanto pelo ouvinte. São informações incorporadas no nível das sentenças e recuperadas no fluxo conversacional. Sua recuperação pode se dar de várias formas, uma delas é mediante o emprego de certas palavras, cuja função é a ativação de um determinado pressuposto semântico, como veremos nos exemplos de (3) a (9), apresentados posteriormente neste trabalho. 

Mas definir contexto vai além disso. Segundo Stalnaker (1978), para compreendermos a extensão abrangente de um contexto, alguns pressupostos teóricos devem ser considerados: 

a) em relação a uma asserção: toda asserção tem um determinado conteúdo; um ato de asserção é, entre outras coisas, a expressão de uma proposição - algo que represente o mundo de um certo modo;

b) as asserções são produzidas num contexto, ou seja, são produzidas numa situação que inclui um falante com certas crenças e intenções, e algumas pessoas com suas próprias crenças e intenções para quem as asserções são dirigidas;

c) algumas vezes o conteúdo da asserção depende do contexto em que é produzida, por exemplo, de quem está falando ou de quando o ato da asserção acontece; e,

d) os atos de asserção afetam - e a pretensão é afetar mesmo - o contexto, em particular as atitudes dos participantes na situação; como a asserção afeta o contexto dependerá do seu conteúdo.

Nesses termos, o contexto pode ir muito além das informações semânticas: podem fazer parte do contexto informações pragmáticas que levem em conta situações de fala que incluam falantes com certas crenças e intenções, e ouvintes também com suas próprias crenças e intenções, que são as pessoas para quem as asserções são dirigidas. Consideremos, portanto, que estas crenças e intenções que envolvem os participantes da conversação estejam no nível pragmático.

Nosso objetivo neste paper é esboçar alguns conceitos teóricos e, a partir deles, mostrar como estes conceitos podem ser usados para explicar algum fenômeno lingüístico. Sugerimos como o conteúdo e o contexto poderiam ser representados numa teoria de fala, e como a interação do conteúdo e do contexto mencionados acima poderiam ser descritos. Não propomos uma análise de sentenças negativas, apenas, mas algumas considerações a respeito de como as mesmas agem sobre o contexto em que são elaboradas, e de como os contextos limitam a sua interpretação. Para concluir, serão mostrados alguns exemplos de negação metalingüística que podem melhor explicar o exposto acima.

Como vimos, a questão maior está em saber especificar se um determinado pressuposto é definido no componente semântico ou no pragmático. Quando definido no componente semântico, pode ser inferido a partir do sentido “literal” de certas palavras de uma sentença, que, como vimos, têm por função ativá-los. Vimos, também, que a passagem de uma sentença afirmativa para a forma negativa não cancela seu pressuposto semântico. Entretanto, se nesta forma negativa de sentença for verificada uma contradição, no sentido de chamar a atenção do interlocutor, como, por exemplo, ocorre nos anúncios publicitários, a determinação de um pressuposto não parece ser tão facilmente detectável. 

Uma sentença negativa pode gerar ambigüidade na sua interpretação. Tal ambigüidade gerada é causada pelo escopo do operador de negação, isto é, pelo alvo sobre o qual este operador está incidindo: se incidir sobre a aplicabilidade do predicado em relação ao sujeito, esta negação será descritiva; em contrapartida, se o escopo do operador de negação incidir sobre toda a sentença, esta negação será metalingüística. São os casos dos exemplos (1), como demonstração de negação descritiva (Ducrot, 1987), e (2), como metalingüística (Moura, op. cit.), abaixo, e que serão analisados no desenvolvimento deste trabalho:

(1) Não há uma nuvem no céu.

(2) Não me arrependerei de ter votado em FHC, porque não votei em FHC.

Ambas as sentenças acima são negativas. No estudo da significação lingüística, de um modo geral, a atribuição do sentido neste tipo de sentença costuma ser mais complicado do que nas afirmativas, possivelmente em razão da ambigüidade nelas gerada, em relação ao escopo do operador de negação.

Ao analisarmos a estrutura semântica de uma sentença, partimos da significação de cada um dos elementos que a compõem, ou seja, de uma análise composicional. A partir daí, precisamos de uma série de inferências pressuposicionais, cujos aspectos semânticos e pragmáticos são objeto de intensa discussão e que serão retomados neste estudo. 

A hipótese assumida aqui é de que as pressuposições são de natureza semântica, desde que a semântica contenha informações contextuais, como aquilo que os falantes sabem num dado momento do discurso (Moura, op. cit). Nesses termos, uma sentença na forma negativa mantém seu pressuposto. Entretanto, há situações discursivas em que um pressuposto semântico pode ser cancelado pragmaticamente: é o caso do exemplo (2), em que o pressuposto semântico, Votei em FHC, é cancelado pela inserção de elementos contextuais pragmáticos (o fato de o interlocutor poder ser de esquerda e, portanto, não ter votado em FHC), caracterizando, assim, o que a literatura trata como negação metalingüística.

 

3 Pressuposto semântico

 

Já vimos que um pressuposto pode ser definido no componente semântico. Quando definido neste componente, é inferido a partir do sentido literal de certas palavras de uma sentença, que têm por função ativá-los. Tomando alguns exemplos da relação proposta por Levinson, Moura (op. cit., p. 17) apresenta algumas destas palavras:

(3a) O rei da França é calvo. (O rei da França não é calvo)

(3b) pp. Existe um rei da França.

 

(4a) João lamentou ter bebido muito. (João não lamentou ter bebido muito.)

(4b) pp. João bebeu muito.

 

(5a) João conseguiu abrir a porta. (João não conseguiu abrir a porta)

(5b) pp. João tentou abrir a porta.

 

(6a) João deixou de fumar. (João não deixou de fumar)

(6b) pp. João fumava.

 

(7a) O disco voador apareceu de novo. (O disco voador não apareceu 

 de novo)

(7b) pp. O disco voador tinha aparecido antes.

 

(8a) Maria desmaiou depois de encontrar João. 

(Maria não desmaiou depois de encontrar João)

(8b) pp. Maria encontrou João.

 

(9a) Foi o João que beijou a Maria. (Não foi o João que beijou a Maria)

(9b) pp. Alguém beijou a Maria.

Como nesse trabalho tratamos das proposições negativas, observemos, então, que a negação, nos exemplos de (3) a (9), não cancelou os pressupostos levantados. O não-cancelamento destes pressupostos se deu pelo fato de estarem definidos no componente semântico. Como sabemos, quando definidos no componente semântico, a negação não os atinge, justificando a teoria de pressuposição de Frege (1892 - apud Levinson, 1983), segundo a qual uma sentença e sua contraparte negativa repartem o mesmo conjunto de pressuposições. O papel dessas palavras ativadoras é, dado um certo contexto, recuperar certas pressuposições consideradas como fazendo parte do conhecimento compartilhado dos interlocutores.

Entretanto, como já mencionamos, nem sempre um pressuposto pode ser definido no campo semântico. Se não o for, será definido pragmaticamente. E aí ressurge a nossa questão inicial: se, numa sentença, a definição de seu pressuposto envolver a atribuição de crenças aos interlocutores, este mesmo pressuposto não vai ser necessariamente mantido, como não o foi em (2). Por isso, abordemos, então, a pressuposição na interface desses dois campos de estudo: o da semântica e o da pragmática.

 

4 Pressuposição: nos limites da semântica e da pragmática

 

Segundo o que expusemos, a pressuposição é um tipo de inferência baseada na estrutura lingüística real das sentenças, isto é, no significado das palavras, sintagmas ou sentenças (Levinson, 1983). Tais inferências não podem ser pensadas como semânticas no sentido estrito, porque também são sensíveis a fatores contextuais mais amplos. O pressuposto, então, também está sujeito a certas inferências pragmáticas que parecem, no mínimo, ser construídas a partir de expressões lingüísticas. 

Nesses termos, a semântica pura começa a mostrar-se sensível a elementos de outra natureza: os contextuais. Então, a partir de exemplos, como (10) e (11) abaixo, Keenan (1971 – apud Levinson, 1983) sugere que há dois tipos diferentes de pressuposição em língua natural, as pressuposições semânticas e as pressuposições pragmáticas, existentes independentemente:

(10) Tu es Napoléon. (Tu és Napoleão)

(11) Vous êtes Napoléon. (Você é Napoleão) 

O uso do pronome tu, na sentença (10), em francês, parece pressupor que o interlocutor seja um animal, uma criança, socialmente inferior ao falante, ou pessoalmente íntimo do falante. Mas se eu usar (10) sem que nenhuma destas condições sejam preenchidas, seria estranho dizer que o que eu disse não seja verdadeiro nem falso: é verdade apenas no caso do interlocutor ser realmente Napoleão e falso de outra maneira. A sentença (11) compartilha justamente as mesmas condições de verdade da sentença 10. As pressuposições expressas pelo uso de tu e vous, simplesmente não afetam as condições de verdade. Keenan (op. cit.) sustentou, então, que tais exemplos formam uma classe independente e distinta de inferências pragmáticas e chamou-a de pressuposições pragmáticas, descritas como uma relação entre um falante e a adequação de uma sentença em um contexto. 

Os estudos demonstraram que a pressuposição não se apresenta de modo estável nos enunciados, em relação à sua natureza semântica ou pragmática. Pelo contrário, eles apontam que ela sobrevive na interface destas duas áreas. Consideremos um outro exemplo que também reforça a tese pragmática da pressuposição. Segundo Levinson (op. cit.), as pressuposições expressas por orações precedentes (before clauses) são geralmente pressupostas. Portanto, ao proferirmos (12a), teremos comunicado, entre outras coisas, que sabemos (12b):

(12a) Sue chorou antes de terminar sua tese.

(12b) pp. Sue terminou sua tese.

Mas agora comparemos (12c):

(12c) Sue morreu antes de terminar sua tese.

que certamente não pressupõe (12b), mas declara que Sue nunca terminou sua tese. Portanto, em (12c), a pressuposição parece cair por terra. A razão para isso parece ser a seguinte: a assertiva de (12c) afirma que o fato de Sue ter morrido precede o evento do término da tese. Desde que sustentamos que as pessoas (e assumimos que Sue seja uma pessoa) não fazem coisas depois de terem morrido, isto resulta que ela não teria terminado a sua tese. Esta dedução a partir do acarretamento da sentença junto com as suposições conhecidas sobre os mortais, impede a pressuposição em (12b). Assim, a pressuposição é abandonada neste contexto, ou conjunto de crenças conhecidas. Mais uma vez, pôde ser cancelada.

Nesses termos, na tentativa de justificar a importância de incorporarmos os elementos contextuais na significação, Levinson (op. cit.) postula o seguinte.

“As teorias semânticas de pressuposição não são viáveis pela simples razão de que a semântica diz respeito à especificação de sentidos estáveis invariáveis que podem estar associados às expressões. As pressuposições não são invariáveis, não são estáveis e não pertencem a qualquer ordenamento semântico”.

Assim, partindo das razões expostas acima, segundo as quais as teorias semânticas da pressuposição têm-se mostrado inviáveis, é que Levinson (op. cit.) acredita que elas tenham sido abandonadas. Em seu lugar, muitas outras teorias de pressuposição pragmática foram colocadas, oferecendo definições de pressuposição passíveis ao uso de noções pragmáticas. A negação metalingüística está inserida na natureza pragmática das pressuposições.

 

5 Negação metalingüistica: negação de um pressuposto pragmático

 

5.1 Negação: algumas considerações

 

Antes de levantarmos algumas reflexões em relação à manutenção ou cancelamento de pressupostos, metalingüisticamente, em sentenças negativas, abordaremos algumas considerações que a literatura tem apresentado a respeito da negação.

Horn (1989) tem observado que as línguas naturais tendem a não distinguir morfologicamente a negação interna da externa. Invariavelmente, permitem que um operador de negação descritivo se desdobre em um uso metalingüístico.

A negação metalingüística, segundo diferentes autores, pode ser tomada como semântica ou pragmaticamente ambígua. Para Horn (op. cit.), a negação deve ser tomada como pragmaticamente ambígua quando for descritiva e constituir um uso metalingüístico estendido do operador descritivo comum. Assim, o foco da negação metalingüística não está sobre a verdade ou falsidade de uma proposição, mas sobre a crença que o interlocutor atribui aos interlocutores. O uso dual do operador de negação - descritivo e metalingüístico - é crucial para a delimitação entre a semântica e a pragmática. 

É preciso distinguir, em um enunciado negativo, duas proposições: uma primeira e uma outra que a nega, daí ser considerada a negação objeto de uma análise polifônica (Ducrot, 1987; Maingueneau, 1993). 

Ducrot (op. cit.) explica esta dualidade pressuposicional da negação da seguinte maneira: 

... a maior parte dos enunciados negativos [...] é analisável como encenação do choque entre duas atitudes antagônicas, atribuídas a dois “enunciadores” diferentes: o primeiro personagem assume o ponto de vista rejeitado e o segundo, a rejeição deste ponto de vista (p.202).

Em sua obra “Princípios de semântica lingüística” (1977), afirma que existem dois tipos de negação: descritiva e metalingüística (polêmica). A negação descritiva refere-se à descrição de um estado de coisas. Vejamos os exemplos (13) e (14):

(13) Não há uma nuvem no céu.

(14) Este muro não é branco.

Ao enunciar (13), o locutor descreve um estado de coisas, que pode ser parafraseado como o céu está absolutamente limpo, por isso, trata-se de uma negação descritiva. Esta negação refere-se, então, à negação de estado de coisas, o que não impede, alertou Ducrot, que o mesmo enunciado possa ter utilização polêmica. Em (14), estamos diante de uma contestação, que se opõe a uma asserção anterior: este muro é branco, tratada como negação metalingüística (neste caso, coincide com a polêmica), por constituir um verdadeiro ato de negação, de refutação do enunciado positivo correspondente. 

Moeschler (1982 - apud Maingueneau, 1993) distingue três tipos de refutação:

a) retificação: a refutação incide sobre um simples constituinte do enunciado rejeitado:

(15) A eleição de FHC não era provável, mas certa pela Globo.

b) refutação proposicional: a refutação diz respeito ao conteúdo posto em seu conjunto, e os pressupostos do enunciado rejeitado são conservados. É associada a um ato de justificação:

(16) FHC não é popular, porque ninguém se desloca para ouvi-lo.

c) refutação pressuposicional: a refutação visa ao pressuposto. Refuta então a pressuposição associada ao enunciado rejeitado, ou seja, a segunda enunciação justifica a primeira, especialmente porque a negação incide sobre o pressuposto. Vem necessariamente acompanhada de uma justificação:

(17) FHC não está menos popular, jamais o foi.

Ducrot (1987, p. 201), após formular a teoria polifônica, subdividiu a negação polêmica em polêmica e metalingüística. Do mesmo modo que Levinson (op. cit.), define esta última negação como aquela que contradiz os próprios termos de um enunciado, ou seja, o seu pressuposto. É uma negação que visa ao locutor que assumiu o enunciado negado, podendo anular seus pressupostos. Se tomarmos o exemplo (18), verificaremos que é a mesma refutação pressuposicional de Moeschler (op. cit.):

(18) A França não parou de recuar, ela jamais recuou.

5.2 Negação metalingüística

 

Como vimos, o uso do operador de negação se dá de acordo com o escopo da negação. O posto de dada interpretação de uma sentença depende do escopo da negação. Em relação ao fenômeno pressuposicional, quando atingir um escopo amplo na sentença, pode permitir o cancelamento do pressuposto. Neste caso, estaremos diante da negação conhecida como metalingüística. Por outro lado, se tiver escopo restrito, incidindo somente sobre a aplicabilidade do predicado com relação ao seu sujeito e mantendo o pressuposto, é chamada de negação descritiva. 

A negação metalingüística redunda, portanto, na negação do pressuposto de uma sentença, desde que seja reconhecido como pragmático. Possui algumas propriedades que a distinguem da negação descritiva. A idéia de conhecimento compartilhado é uma das características da pressuposição pragmática. Uma proposição P faz parte da pressuposição pragmática num dado contexto conversacional somente quando um falante e seu destinatário conhecem ou acreditam em P.

Tomemos o exemplo (19):

(19) Não me arrependerei de ter votado em FHC, porque não votei em FHC.

Levinson (op. cit.) reconhece a negação metalingüística em (19) devido ao cancelamento do pressuposto. Este cancelamento ocorre em função de, nesta sentença, haver uma segunda oração que nega claramente o pressuposto contido na primeira oração (Votei em FHC).

Entretanto, se (19) fosse constituído só de uma oração, no caso, só da primeira, o pressuposto seria mantido e (19) predicaria apenas que eu não tinha me arrependido de ter votado em FHC. Assim, pelo fato de o pressuposto se manter intocado, esta negação dependeria somente do valor de verdade da sentença, e que, conforme vimos, caracterizaria, assim, a negação descritiva (embora esta pudesse ser polêmica). 

Nesta mesma perspectiva de Levinson, Horn e Burton-Roberts (apud Carston, 1998), interpretam (20) e (21), abaixo, reconhecendo a negação metalingüística pelo cancelamento do pressuposto:

(20) O rei da França não é careca, porque não existe rei da França.

(21) Eu não parei de fumar, eu nunca fumei.

O cancelamento de pressuposto em (20), Existe um rei da França, e em (21), Eu fumava, ocorre um função de, nestas sentenças, haver uma segunda oração que nega claramente o pressuposto contido na primeira oração. Sentenças como (20) e (21), em que apresentam a primeira oração na forma negativa e, em seguida, o cancelamento de seus pressupostos, devem ser interpretadas dessa maneira somente no caso de não ser adequado o operador de negação tendo uma interpretação descritiva (ou polêmica). Eles vêem, nestes casos, um fenômeno peculiar que apresenta uma interpretação pertencente à pragmática, já que as inferências efetuadas vão além do poder lingüístico.

Nesses termos, a negação metalingüística distingue-se das outras negações por cancelar o pressuposto. Contudo, o cancelamento da pressuposição não é a única característica que envolve este tipo de negação: outras também são defendidas por estes autores. Vejamos os exemplos abaixo: 

(22) João não é um homem solteiro; ele é um homem descasado.

(23) Ela não leu alguma coisa sobre Chomsky; ela leu tudo sobre Chomsky.

(24) Ele não é neurótico nem paranóico; ele é ambos.

Nos exemplos acima estamos diante de negação metalingüística, por podermos atribuir a estas sentenças uma série de propriedades que lhes são peculiares. Segundo Horn e Burton-Roberts (op. cit.), são elas: 

a) as sentenças apresentadas como exemplos possuem uma oração de retificação;

b) numa abordagem semântica, que considera a negação como descritiva, elas são contraditórias;

c) a primeira oração é descritiva, já que nega somente o predicado e conserva o pressuposto. Ao ser enunciada a segunda oração, este pressuposto desaparece, e a negação é analisada como metalingüística (‘I contesta U’, onde U é o enunciado positivo).

A negação metalingüística teria a seguinte fórmula lógica: ‘I se opõe a U’, ou U é uma leitura inadequada, sendo que U é a expressão afirmativa de uma sentença negativa. A compreensão metalingüística é obtida pelo ouvinte quando não é possível esta compreensão pela forma descritiva, isto é, quando o enunciado de uma sentença é contradito por algum motivo.

É segundo Horn (1989) que podemos interpretar a fórmula ‘I se opondo a U’, onde U corresponde ao enunciado na forma afirmativa da sentença enunciada. O que é negado, como vimos, é um item morfológico, uma implicatura conversacional ou uma implicatura convencional. Isto permite que o operador de negação tenha um significado diferente da negação descritiva, que é aquele que mantém a relação com o valor de verdade da sentença. As inferências, aqui, são alcançadas pragmaticamente. Assim, o operador de negação, com interpretação metalingüística, está rejeitando um enunciado, além de não poder ser analisado como negação interna que, conforme foi exposto acima, tem por base o valor de verdade da sentença. Isto é fornecido em virtude de a função de verdade da negação estar fundamentada na proposição, ao contrário da negação metalingüística, que foca o enunciado em si.

 

6 Discussão

 

Como vimos, a construção do sentido em sentenças negativas tem despertado interesse não só nos semanticistas, como também nos estudiosos da língua, de um modo geral, além de ser mais que um desafio para os pragmáticos. Esses estudos têm caminhado sempre na direção de incorporar elementos contextuais na significação. No estudo da negação, mais precisamente no da metalingüística, estes elementos se fazem necessários, pois eles e somente eles é que poderão auxiliar o interlocutor a resolver a ambigüidade pressuposicional de um determinado enunciado.

A negação de polifonia pode ser compreendida como a “incorporação que o locutor faz ao seu discurso de asserções atribuídas a outros enunciadores ou a personagens discursivos: interlocutores, terceiros ou opinião pública em geral” (Koch, 1987). É nesse sentido que compreendemos que, ao negarmos um determinado pressuposto, como o fizemos na negação metalingüística, incorporamos ao enunciado um outro, embasado na atribuição de uma suposta crença ao nosso interlocutor.

A importância dos elementos contextuais na significação tem sido justificada em exemplos, como os de Levinson (op. cit.): “Sue chorou antes de terminar sua tese” (12a)/ “Sue morreu antes de terminar sua tese” (12c), em que cancelamos o pressuposto a partir das crenças relacionadas a morrer e os mantemos diante de chorar.

Segundo Gazdar (op. cit.), somente a partir da determinação de um contexto é que poderemos cancelar ou manter um pressuposto. Nesses termos, através da negação podemos anular o pressuposto não somente por elementos semânticos, como também por contextuais, ligados diretamente à pragmática. A literatura registra uma série de exemplos de exploração da ambigüidade contextual das pressuposições, em que os pressupostos de uma determinada sentença podem assumir significações distintas, dependendo do conhecimento compartilhado dos interlocutores.

Levinson (op. cit.) apresenta outros exemplos que justificam esta proposta de Gazdar (op. cit.), como o (19), adaptado por Moura (op. cit.):

(19a) Não me arrependerei de ter votado em FHC.

(19b) pressuposto: Votei em FHC. 

Como vimos, se descontextualizada, atribuiremos como pressuposto de (19a) a sentença “Votei em FHC” (19b). Chegamos a este pressuposto através de “arrepender-se”, verbo factivo e ativador de pressupostos. Entretanto, (19a) não deixou de ser ambígua. A partir do contexto conversacional e do conhecimento compartilhado dos interlocutores, é que poderemos resolver tal ambigüidade. Se acrescentarmos “porque não votei em FHC”, teríamos uma negação metalingüística, porque estaríamos negando o pressuposto de que “votei em FHC”. Mas, se acrescentarmos apenas uma justificativa, como “porque ele é um sociólogo”, estaríamos apenas negando o posto, ou seja, o ato de arrepender-se, construindo assim uma negação polêmica e não metalingüística.

A questão da significação está tão centrada nos elementos contextuais (contexto conversacional e conhecimento compartilhado dos interlocutores) que (19a) nem precisaria de complemento lingüístico algum para que seu pressuposto fosse cancelado ou mantido, no caso de os locutores já serem conhecidos, a ponto de saberem da militância política um do outro. Assim, se (19a) fosse proferida por um esquerdista, o pressuposto (19b) seria apagado pragmaticamente, sobrevivendo apenas o (19c); o contrário ocorreria, ou seja, (19b) se manteria, caso (19a) fosse proferida por um amigo do presidente. Então, às vezes, só o contexto pragmático (crenças e intenções) já nos é suficiente para atribuirmos significado a um enunciado.

Temos uma série de exemplos no cotidiano que, a depender de quem os profere, conseguiremos cancelar ou manter o pressuposto, como: 

(25a) Não terei pesar de deixar minha Ferrari na hora da morte.

(25b) Pressuposto: Tenho uma Ferrari.

 

a) Proferida por Ronaldinho (jogador do Milan): negação polêmica, visto que o pressuposto pode se manter;

b) Proferida por Mariléia (professora): negação metalingüística, visto que o pressuposto não se manterá.

 

(26a) A morte de inocentes é uma fatalidade que não me pesa na consciência.

(26b) Pressuposto: Tenho participação na morte de inocentes.

 

a) Proferida por Madre Teresa: negação metalingüística, visto que o pressuposto não se mantém;

b) Proferida por Pedrinho 100 (bandido que matou muitos menores): negação polêmica, visto que o pressuposto pode ser mantido;

c) Proferida por FHC: negação ambígua:

d) para a dona Ruth, mulher de FHC, talvez negação metalingüística, visto que o pressuposto, para ela, pode ser cancelado;

e) para um cidadão que acompanha a política social do presidente, negação polêmica, visto que o pressuposto, aqui, pode ser mantido.

 

(27a) Forçar um adolescente a estudar sábado à noite é um fato que não me traz vergonha.

(27b) Pressuposto: Forço os adolescentes a estudarem sábado à noite.

 

a) Proferida por um pai [+ conservador]: negação polêmica, visto que o pressuposto pode ser mantido;

b) Proferida por um pai [- conservador]: negação metalingüística, visto que o pressuposto pode ser negado.

No Banco de Dados do VARSUL, encontramos (28):

(28)Então ninguém queria apitar a partida, aí o presidente: “Não, você apita e tal, nós damos todas as garantias.” Eu digo: “Não, não é garantia, eu não estou, não estou no meio do mato, mas eu preciso saber como é que..” - “Não, não, apita.” Apitei a partida, e o Ubiratan ganhou, né? que era o time mais forte. (FLP 13 MBG 294)

Parafraseando (27), teremos as seguintes proposições:

(28a) Posto: O presidente do clube achou que o associado do clube não deveria deixar de apitar a partida, apenas pelo fato de o clube não lhe ter concedido as garantias ainda. Quando ele fala “Não, você apita”, parece haver uma contradição neste enunciado. O mais esperado seria ouvir: “Não você não apita, não”, ou “Sim, você vai apitar”.

(28b) pp: O pressuposto, no momento da enunciação de “Não”, em “Não, você apita”, é de que o presidente do clube vai impedir o associado de apitar a partida. Mas este pressuposto é cancelado em seguida, quando ele complementa: “Você apita”.

Embora o escopo da negação atinja a sentença como um todo, e a contradição seja mantida, por tratarmos de uma negação metalingüística, podemos analisar um elemento contextual em (28): a ordem, expressa pelo enunciado imperativo “Apita!”, e que é mantida no enunciado. Ou seja: mesmo sem querer (ou melhor, sem saber), o associado acabou apitando a partida. Entrariam aqui outros elementos de natureza pragmática, tais como a alta força manipulativa aqui expressa, por constituir um ato de fala não-declarativo. Aliada a esta força manipulativa, contamos também com outros pressupostos pragmáticos impostos como condições pressupostas na comunicação no uso do imperativo, como a relação de status/poder mais altos do locutor, representado aqui pelo presidente de um clube, contra seu associado, convocado por ele para apitar uma partida de futebol. Neste caso, maior ainda é a obrigação do interlocutor de obedecer, conforme Givón (1993). Em conseqüência, mais facilmente o pressuposto é cancelado, para que a ordem dada seja cumprida.

Ainda no Banco de Dados do VARSUL, encontramos um outro exemplo de negação metalingüística, o (29) abaixo, fragmento que trata da enchente ocorrida em Tubarão (SC), em 1974:

(29) “Ali, ali a... água cobriu tudo (...) Ali o Willy, ali onde que tem a... Relojoaria Zumblick, ali deu mais de sete metros.” “Sete metros?” “É, deu sete e pouco.” “Um dia que tu passares lá, pede pro Fabrício e tu olha lá. Aqui foi... aqui em casa, deu uns 40 cm.” “Mas o senhor não morava em Florianópolis?” “Não, não, mas aqui estava alugada. Aí eu vim ver a casa.” (TUB 01 MBCOL)

Parafraseando (29), teremos as seguintes proposições: 

(29a) Posto: O falante afirma que na sua casa a água subiu uns 40 cm.

(29b) pp: O falante morava em Tubarão, então, na época da enchente. 

Entretanto, o falante morava em Florianópolis. A negação do pressuposto, representado por (29b), vai se tornando cada vez mais evidente, à medida que o fluxo conversacional progride, até ficar clara a idéia de que realmente ele não morava em Tubarão, quando se deu a enchente. No final da narrativa, o falante esclarece, então, que a casa a que ele se refere (a de Tubarão) e que fora atingida pela enchente, era dele, sim, mas estava alugada na época, visto que ele estava morando em Florianópolis, mas que, agora, no momento da enunciação, ele estava morando nela. A ambigüidade fora resolvida pela incorporação de elementos contextuais.

 

7 Considerações finais

 

A noção de pressuposição é relevante para o estudo do significado lingüístico. Os pressupostos, como foi apresentado, podem ser considerados como sensíveis ao contexto discursivo, seja ele de natureza semântica ou pragmática, no qual o enunciado poderá ser desenvolvido. 

Como vimos, a análise de um fenômeno lingüístico dentro de uma concepção estritamente semântica contaria com uma série de limitações, pois este tipo de análise não daria conta da variedade de usos da linguagem natural. No caso específico das sentenças negativas, temos que considerar outros elementos de natureza contextual, criados a partir das crenças e conhecimento compartilhado dos interlocutores na conversação. Nesse sentido, o princípio fregeano segundo o qual “uma sentença e sua contraparte negativa repartem o mesmo conjunto de pressuposições” é justificado apenas nas sentenças cujo pressuposto é definido no campo semântico, seja no fluxo conversacional, seja no conhecimento compartilhado dos interlocutores. Vimos, por outro lado, que, quando definido no campo pragmático, o pressuposto não precisa necessariamente ser mantido na contraparte negativa de uma sentença.

A manutenção ou cancelamento de um pressuposto vai depender do escopo da negação na proposição. A negação pode ter escopo sobre a atribuição de um pressuposto por parte do interlocutor, que poderá ser falso ou verdadeiro. Neste caso, a negação será, portanto, essencialmente pragmática, por envolver a atribuição de crenças aos interlocutores, e não àquilo que é assumido no discurso. E é isto que define, portanto, a negação metalingüística.

Como vimos, a negação metalingüística distingue-se da negação descritiva e da polêmica por cancelar o pressuposto. Ao contrário, a negação descritiva preserva o pressuposto, já que nega somente a aplicabilidade do predicado em relação ao sujeito. De acordo com a análise de Horn e Burton-Roberts (op. cit), a contradição em relação ao cancelamento da pressuposição ocorre devido ao fato de esta pressuposição ser metalingüística, ou seja, pelo fato de o operador de negação atuar sobre o enunciado. A habilidade do ouvinte de fazer inferências não só recupera proposições implicadas, como também soluciona ambigüidades, vaguezas e indeterminações semânticas sobre a proposição enunciada. Uma das diversas indeterminações pode ser fixada, se a representação lingüística do enunciado for usada descritiva ou metalingüisticamente.

Assim, o que este estudo ilustra é que, se o uso de um fenômeno lingüístico referir-se ao contexto, especialmente aquele organizado no conhecimento compartilhado, pode receber tratamento semântico (como no caso da pressuposição, por exemplo). Mas, se ele envolver a atribuição de crenças aos interlocutores, estamos no campo da pragmática, como foi visto na negação metalingüística, no sentido de resolver a ambigüidade de certas sentenças (Moura, 1998, p. 103).

 

Referências

 

CARSTON, R.. “Negation, ‘pressuposition’ and the semantics.pragmatics distinction” In: Journal of Linguistics 34. Cambridge: Cambridge University Press, 1998

DUCROT, O. Princípios de Semântica Lingüística – dizer e não dizer. São Paulo: Cultrix,1977.

_____. O dizer e o dito. Campinas : Pontes, 1987

GAZDAR, G. Pragmatics: implicature, pressuposition and logical form. New York: Academic Press, 1979

GIVÓN T. Non-declarative speech acts. In: English Grammar - a function-based introduction. Vol.II. Philadelphia : JBNA, 1993.

HORN, L. A natural history of negation. Chicago, Chicago University Press, 1989.

KOCH, I.G.V. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1987.

LEVINSON, S. Pragmatics. Cambridge : Cambridge Press, 1983.

MAINGUENEAU, D. Novas tendências em Análise do Discurso. Campinas: Pontes, 1993.

MOURA, H. M. M. Significação e Contexto - uma introdução a questões de semântica e pragmática. Florianópolis: Insular, 1998.

SCOTT, M. Lendo nas entrelinhas: lingüística - leitura. Cadernos da PUC n. 16. São Paulo: EDUC; Cortez, 1983.

STALNAKER. Assertion In: Cole, P. (Ed.) Syntax and semantics 9: Pragmatics. New York: Academic Press, 1978.

 

Notas


* Doutorando em Letras/Lingüística da UFSC; Docente do Curso de Letras e do CUrso de Mestrado em Ciências da Linguagem da Unisul; Docente da Rede Estadual de Ensino.

 

 

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