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A expressão da identidade feminina na música funk: uma análise do gênero letras de canções da fase erótica do movimento funk brasileiro

 

Edinéia Aparecida Chaves de Oliveira


Dia 18 de julho de 2008, às 14 horas

Sala de Treinamento do Bloco A do Campus Sul da Unisul

Dra. Débora de Carvalho Figueiredo – UNISUL (orientadora);

Dr. Marcos Morgado – UEL (avaliador);

Dr. Adair Bonini – UNISUL (avaliador); e

Dr. Fábio José Rauen – UNISUL (suplente)


Resumo:

 

O presente trabalho analisa a representação da identidade feminina apresentada nas letras de músicas funk popularizadas a partir de 2004. Com esse objetivo, selecionamos vinte e quatro músicas da terceira geração funk (ano 2000 em diante), pensando que esta é uma etapa do movimento que se caracteriza como erótica (ESSINGER, 2005, VIANNA, 2003). Partindo dessa seleção, analisei a parte textual, a letra dessas músicas, refletindo sobre como essas músicas contribuem para a naturalização de representações sexistas sobre a mulher. A pesquisa baseou-se na ACD (Análise Crítica do Discurso) como teoria de suporte. Em termos metodológicos, foram utilizadas duas categorias analíticas da Lingüística Sistêmica Funcional (HALLIDAY, 2004; HASAN, 1989). Primeiramente, estudou-se o conceito de metafunção (ideacional, interpessoal e textual), através do qual observamos como as escolhas léxico-gramaticais representam nossas experiências, quais são as relações sociais mantidas através dessas e como esses textos são estruturados em termos de coerência. Dessas três metafunções apenas as primeiras duas foram investigadas na análise, através das categorias de transitividade, modo e modalidade. Essas categorias mostraram como os processos verbais são usados para criar um espaço social de inferiorização feminina, como a voz masculina é sempre representada como superior a feminina, e como o homem detém o poder nessas representações. Em segundo lugar, o conceito de registro (campo, relação e modo), que permitiu identificar traços do contexto da situação na qual essas músicas são criadas, circulam e são consumidas. Em termos de registro, ao investigar a configuração textual das músicas, detectei que a maioria delas são representações de convites eróticos ou a descrição de encontros amorosos nos quais a mulher é retratada como um objeto sexual masculino. A análise macro textual indica que as músicas analisadas representam uma mulher a disposição sexual do homem, cuja imagem é um produto de venda para o Funk. Os resultados evidenciam o fato de que linguagem veicula e dissemina ideologias, e que os valores misóginos e sexistas que circulam, de forma naturalizada, numa comunidade como a funkeira se refletem nas músicas aí produzidas, assim como essas músicas ajudam a naturalizar essas mesmas representações.

 

Palavras-chave:

 

Análise crítica do discurso, lingüística sistêmica funcional, representações de gênero, sexismo, música funk.


versão integral

 

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